MANUAL DE DEFESA

dança/teatro (2026/2027) . 55 min . M12

Sinopse

MANUAL DE DEFESA é uma peça-ensaio que pensa sobre formas de proteção, memória e (re)afirmação de corpos, identidades e corporeidades queer, recorrendo a discursos artísticos diversos, para reimaginar esteticamente a defesa destes corpos em situações de crise.

Numa peça que oscila entre o ensaio teórico (verbal ou escrito) e diversas práticas do corpo (contacto-improvisação, jiu jitsu e afetividade queer), vemos o esforço destes corpos para a proteção e afirmação das suas identidades neste momento histórico de sucessivas tentativas de apagamento. Testemunhamos um esforço que se agiganta em movimentos de amorfização que redefinem os corpos e as identidades, desmistificam o ódio e fundam novas formas de afetividade. Rodeados de manuais de defesa, estes dois corpos queer entrelaçam-se em práticas de dança e em treinos de artes marciais de defesa desarmada, para proporem o conhecimento como maior escudo para a proteção coletiva e comunitária contra discursos de ódio e desinformação.

Em MANUAL DE DEFESA não há camuflagem, há apenas apossematismo epistemológico. Don’t kill them with kindness, teach them with knowledge and queerness!

Descrição do projeto e intenções artísticas

Desde 2018 que Júlio Cerdeira investiga o corpo amorfizado através de novas práticas de contacto-improvisação que desenvolveu em estúdio e em palco. Em oposição às formas mais conhecidas de contacto, o artista propõe a criação de corpos maciços, de pressão, restrição e enlaçamento de membros, que geram movimento, forma e materialidade na diluição da limitografia dos corpos individuais e na fundação de corpos coletivos.

Para este projeto, procura corpos que usam o movimento para transitar entre diferentes formas, relacionando estas práticas de movimento com a flutuação da sua própria experiência de género e com a sua vivência de afetividade queer. Identificando também que a sua pesquisa coreográfica tem semelhanças estéticas e metodológicas com artes marciais, nomeadamente o jiu jitsu, e tendo o contato-improvisação de Steve Paxton e Nancy Stark Smith surgido também ele altamente inspirado por artes marciais, percebeu que devia cruzar estas práticas como forma de expandir esta amorfização dos corpos. Depois de ter já iniciado este entrosamento de práticas, decidiu propor um processo de criação-investigação que não procura apenas a criação de novas materialidades e identidades dos corpos queer, mas também formas de afirmação e defesa dos mesmos.

Júlio Cerdeira escolheu iniciar a prática de jiu jitsu por ser uma técnica de defesa desarmada, que recorre à adaptabilidade do corpo e ao domínio técnico, em detrimento do uso da força. Face ao ressurgir de ataques de ódio a pessoas queer, esta prática tem sido utilizada pela comunidade queer no Porto e em outros lugares do mundo como forma de capacitação dos corpos de competências de defesa pessoal face a situações de ataque contra a sua integridade física. Pretende-se então colocar em diálogo estas práticas: a prática de novas formas de contacto-improvisação e o jiu jitsu, numa peça onde se confunde o gesto coreográfico de criação de corpos amorfizados com as práticas de defesa de corpos queer.

Para tal, com o projeto MANUAL DE DEFESA, procura-se desenvolver a criação de uma peça de dança contemporânea, que permita a realização de residências artísticas e atividades de mediação/formação com a comunidade queer local do Porto, Braga e outros municípios coprodutores.

A estreia do projeto irá acontecer no Teatro Municipal do Porto no último quadrimestre de 2026 e a circulação prevê-se para 2026-2027.

Objetivos de Investigação-Criação

  • Promover o encontro entre as práticas de contacto-improvisação, amorfização dos corpos e jiu jitsu, para a criação de novas corporeidades queer e discursos sobre defesa comunitária.

  • Capacitar corpos queer para propor práticas de defesa discursiva e estética alternativas, em oposição às práticas de força, às políticas bélicas de Estado e à desinformação.

Direção artística e coreografia

Júlio Cerdeira

Interpretação

2 intérpretes por determinar em audição

Texto e Dramaturgia

Júlio Cerdeira e cátia faísco

Música e Fotografia

Miguel De

Luz

Pedro Abreu

Apoio à produção e comunicação

BANQUETE – Associação de Investigação e Criação em Artes Performativas


Parcerias

Backstage - Escola de Dança e Artes Performativas e Instável - Centro Coreográfico

Co-produção

Teatro Municipal do Porto e Instável - Centro Coreográfico

Próximo
Próximo

ICoDaCo